O governador Antonio Anastasia lançou nesta quinta (27/04) o projeto de revitalização de bacias hidrográficas em Minas. O investimento será de R$ 1 bilhão e tem uma ousada meta-símbolo, a Meta 2014: nadar e pescar no rio das Velhas, na altura de Lagoa Santa, em 2014.
Para quem não se lembra, o projeto de despoluição do curso d’água já passou pela Meta 2010, quando Aécio Neves, Anastasia e o ambientalista Apolo Heringer, entre outros, mergulharam nas águas do Velhas em Santo Hipólito (relembre no link abaixo e nas fotos).
No projeto atual, estão incluídos os rios Piracicaba, Mogi-Guaçu, Paraopeba e Pará, além da despoluição da Lagoa da Pampulha. O esforço é feito em torno de investimentos em saneamento e tratamento de esgotos, limpeza das margens e outros. Confira no texto e nos links abaixos.
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Nova promessa de água limpa
Estado de Minas, 27/04/2012
Governo do estado lança projeto de R$ 1 bilhão para revitalização das bacias hidrográficas e garante que em 2014 será possível nadar no Rio das Velhas, em Lagoa Santa
Imagine se, daqui a dois anos, você pudesse nadar de braçada e ainda pescar no Rio das Velhas, na altura de Lagoa Santa, município da Região Metropolitana de Belo Horizonte. Pois o que hoje parece uma sentença de morte é o compromisso assumido pelo governador Antonio Anastasia (PSDB), no lançamento, ontem, dos projetos de revitalização das bacias hidrográficas mineiras. O plano envolve mais de R$ 1 bilhão em recursos até 2015 a serem aplicados na recuperação dos rios das Velhas, Piracicaba, Mogi-Guaçu, Paraopeba e Pará, além da despoluição da Lagoa da Pampulha. O compromisso implica vencer, num prazo de três anos, desafios históricos, desde o saneamento básico à destinação correta do lixo, que tornam a classificação da qualidade da água em vários trechos desses cursos d’água “ruim” ou “muito ruim”.
A constatação vem de relatórios do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam), documentos que nortearam a escolha das bacias hidrográficas a serem priorizadas nas ações. “Começamos por lugares com qualidade da água mais crítica. Notamos que os principais problemas estão relacionados ao esgoto doméstico e à poluição difusa, aquela que fica na atmosfera e acaba sendo arrastada para os rios”, afirmou a diretora-geral do Igam, Cleide Izabel Pedrosa de Melo. Até 2015, serão investidos R$ 430 milhões nas bacias dos rios Piracicaba (afluente do Rio Doce), Mogi-Guaçu, Paraopeba e Pará. A bacia do Rio das Velhas será modelo para a recuperação das demais áreas e receberá R$ 500 milhões em investimentos.
Em 2007, o curso d’água, um dos principais contribuintes do São Francisco, foi alvo da Meta 2010, em que se propunha nadar, navegar e pescar, na região metropolitana até 2010, desafio proposto pelo Projeto Manuelzão, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e assumido pelo governo do estado. Apesar de resultados como a volta do peixe a alguns trechos, apenas 60% da meta foi alcançada e o encerramento da meta foi marcado pela imagem do ex-governador Aécio Neves e o governador Anastasia, de bermudas, nadando em Santo Hipólito, município da Região Central, a 232 quilômetros de BH.
DESAFIO DO ESGOTO Ontem, durante o lançamento da Meta 2014, os objetivos de dois anos atrás foram reiterados. “Vamos todos entrar no Velhas, em Lagoa Santa, em 2014. É um compromisso coletivo”, disse Anastasia. Idealizador do Projeto Manuelzão, o ambientalista Apolo Heringer, lembra que a meta é como um jogo de futebol. “Agora já estamos na prorrogação e, no futebol, não existe outra prorrogação. Em 2014, vou pular no rio e, se ficar doente, o Estado terá que me indenizar”, cobra. Uma das estratégias é atacar o problema do esgoto, que até hoje não tem tratamento adequado em municípios como Sete Lagoas e Sabará. De acordo com a Copasa, até o fim do ano, o tratamento do esgoto na bacia do Rio das Velhas passará dos atuais 76% para 82%.
Outra frente de ação que vem se arrastando há décadas é a despoluição da Lagoa da Pampulha, com o investimento de R$ 102 milhões para evitar que o esgoto de BH e Contagem caia no espelho d’água. As obras estão em curso, mas o último relatório do Igam sobre a qualidade das águas da barragem apontou a predominância da condição ruim na metade dos pontos analisados na lagoa e seus afluentes. Com tantas promessas, é grande a expectativa da escritora Mércia Inês Pereira, de 50 anos, que luta para livrar da poluição os córregos Navio/Baleia, que cortam o Bairro Paraíso, na região Leste de BH. “Esperamos de verdade que possamos nadar em Lagoa Santa em 2014.”
Saiba mais: principal afluente do São Francisco
A Bacia do Rio das Velhas, mais extenso afluente do Rio São Francisco, abrange 51 municípios mineiros e um total de 4,4 milhões de habitantes. Com 801 quilômetros, o curso d’água nasce na Cachoeira das Andorinhas (Ouro Preto) e deságua no Rio São Francisco, no município de Várzea da Palma, no Norte de Minas. O último relatório do Índice de Qualidade da Água (IQA) do Velhas, referente ao primeiro trimestre deste ano, apontou 48,9% das medições feitas na calha do rio estavam “ruins” e 3,5% “muito ruins”. O estudo foi elaborado pelo Instituto Mineiro de Gestão das Águas (Igam).

Aécio Neves e Anastasia no Rio das Velhas, em 2010: "Aécio, cê nadô?"