Por Alberto Lage

Thomaz Bastos em evento pró-Dilma - Foto: Ivone Perez
Carlinhos Cachoeira é um fenômeno. Com tentáculos em todo o Brasil, e por diversos partidos, o sujeito acabou atingindo muita gente. Há quem tema Cachoeira por acreditar que ele ainda tem muito a revelar. A própria presidente Dilma é cautelosa com as tentativas de investigação sobre as atividades do contraventor: aliados do governo podem estar envolvidos com ele, e uma revelação dessas poderia ser trágica para o Palácio do Planalto.
Por outro lado, há quem se disponha até a sacrificar aliados se isso for ajudar a fazer barulho, chamar atenção e tirar o foco do julgamento do Mensalão, que deve ocorrer no STF em breve. Um dos que defende essa tese, atualmente vencedora, é Lula, que sabe que o Mensalão é um escândalo de corrupção incomparável. Algo como “nunca antes na história desse país”, Lula diria.
Cachoeira não esconde suas armas. Está preso, mas sabe do poder que tem em suas mãos. Suas revelações podem destruir carreiras e desestabilizar governos. Mas ele também quer sair da cadeia. Para isso, chamou Márcio Thomaz Bastos. O ex-ministro da Justiça de Lula é o advogado de Cachoeira, e estima-se que ele receba 15 milhões de reais para fazer esse serviço. O criminalista já entrou com habeas corpus no STJ, pedindo que Cachoeira fique livre durante as investigações.
Márcio Thomaz Bastos tem lado. Nunca negou que apoiasse Lula e o PT. Foi fundamental nas campanhas de Lula e Dilma, foi ministro da Justiça por muito tempo no governo Lula e foi quem aconselhou o presidente no momento mais tenso do seu mandato: o Mensalão. Agora, na iminência do julgamento do Mensalão, e com uma CPI querendo investigar Cachoeira, lá estará Márcio Thomaz Bastos de novo. Ao lado de Cachoeira. Por 15 milhões, o ex-ministro da Justiça de Lula estará com Cachoeira na CPI defendida por Lula. Essa é a ética do PT.
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