Eu e o Eduardo Dusek gostamos de ficar cantando no banheiro, berrando no chuveiro. Cada um em seu banheiro claro, porque este negócio de pegar sabonete no chão não faz parte do meu show. Deixo logo o meu corpo inteirinho ensaboado, benzinho eu fico ensopado. Papai bate na porta pra drenar o monstro, a maçaneta entorta, mas eu não abro. Mamãe diz que está morta de vontade, não importa, eu não abro.
Não adiante ninguém da família pedir para entrar, eu não pretendo nenhum dos meus hábitos modificar. A minha irmã diz que está apertada, que tá pingando; fica falando que está por um triz. O que é que eu faço se é no banheiro que eu me sinto feliz?
É um desperdício de água, sei-o, mas o que é que eu faço se é no banheiro que eu me sinto feliz?

Ilustração de Walter Navarro
Quando não estou cantando, penso na morte da bezerra ou do bezerro… É quando a vaca vai pro brejo que a onça bebe água.
Terra, Planeta Água, como já cantaria, em sua banheira, o Guilherme Arantes: “Águas escuras dos rios, que levam a fertilidade ao sertão, águas que banham aldeias e matam a sede da população…”.
Água é mesmo uma coisa de louco, né? De vez em quando até bebo. Por falar nisso, deixem-me encher a taça. Já volto.
Pronto, aproveitei pra pegar um cafezinho dormido que, quente ou frio também é feito com água, açúcar e afeto. Ou seria adoçante?
Nelson Rodrigues, meu farol, gostava de botar sempre os mesmos nomes em seus mais típicos personagens.
Por exemplo, nome de corno era Gusmão, de bêbado era Meirelles e de canalha, Palhares ou Bezerra…
Pobre Bezerra da Silva!
Grande Bezerra da Silva!
O Brasil é mesmo uma coisa de louco, né?
Vejam a atualidade. Rio Grande do Sul e Santa Catarina estão virando sertão, não chove nem por decreto de Dilma ou de Pajé. A sorte é que são Estados ricos e vão escapar desta penúria.
O Sudeste tá virando pirão. Nunca se viu tanto dilúvio numa região onde, todo ano é a mesma coisa: 20 mil léguas submarinas. É de matar Noé e sua bicharada de inveja.
No Norte é chuva quase o ano inteiro, isso enquanto a Amazônia não virar Saara, Atacama, Gobi, Kalahari, Mojave.
Mojave é um disco lindo do Tom Jobim, autor de “Águas de Março”…
E o Nordeste? Nordeste, também, como todo ano no verão, é puro verão. Com praias cheias de mulheres gostosas pra gente passar a mão, desde que o próximo da mulher do próximo não esteja tão próximo…
Por falar em água, desmoronamentos, enchentes, lanterna dos afogados, seca, chuva, dilúvio, deserto, águas de março em janeiro e num dezembro dourado; Palhares e Bezerras canalhas; e o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho?
Ele é ministro da integração familiar… Emprega tio, filho… E nacional pra ele é só a terra dele, Pernambuco…
Ano passado caíram sete ministros da Dilma, e o Fernando Pimentel não está passando muito bem… Foi, se a matemática não me apunhala as costas, um ministro a cada dois meses ou mais. Isso porque a imprensa ainda não descobriu o resto da quadrilha. Por enquanto, porque já nos primeiros dias do ano novo, a batata do Bezerra tá assando…
O cara de pau pegou a grana da Integração Nacional e entregou tudo a Pernambuco. Entregação Nacional…
Minas, Rio e São Paulo que viraram súditos de Netuno ficaram a ver navios pelo casco, por baixo. Rio Grande do Sul e Santa Catarina tão tomando banho em copo d’água e praticando a dança da chuva.
E o Palhares, quer dizer, o Bezerra inundando seu Pernambuco com dinheiro das catástrofes nacionais.
Catástrofe nacional deve ser o nome de guerra, sombra e água fresca da família dele, de seus correligionários e currais eleitorais.
Que catástrofe, que tragédia natural aconteceu em Pernambuco?
As galinhas de Porto de Galinhas viraram canja?
Nasceram mais Lulas em Garanhuns?
Os franceses e holandeses voltaram?
O arquipélago de Fernando de Noronha afundou?
O governador Eduardo Campos engravidou a mulher pela 69ª vez?
O Homem da Meia-Noite só quer sair ao meio-dia no Carnaval?
O Alceu Valença lançou disco novo?
Os canais de Recife transbordaram?
O petróleo de Petrolina vazou?
O maracatu tomou na rima?
Dilma passou a vassoura e o rodo em Jaboatão dos Guararapes?
Quem nasce em Pernambuco é pernambucano e quem nasce em Tilambuco?
Já sei por que Fernando Palhares Bezerra inundou Pernambuco com dinheiro nacional e público. É porque, cantando no Banheiro, ele também se lembrou do Eduardo Dusek: “O problema do nordeste menina é não ter piscina”.
PS: As próximas investidas de Bezerra: azulejar e acarpetar o sertão.