Governo Dilma acha que é dono de quem é “viado”

O perfil Humaniza Redes, oficial do Governo Federal, publicou uma curiosa e enfurecedora consideração: “Sou viado. Defendo casamento homoafetivo. #EuApoioEsseGoverno“. Não bastasse a deselegância do termo “viado” num canal oficial, transparece a tentativa governista de se apropriar de uma minoria que nunca foi defendida efetivamente por esse governo, mas sempre foi usada como escudo ou pauta de campanha.

"Sou viado. Eu apoio esse governo", diz tweet do Humaniza Redes

Até hoje, nenhum governista nunca conseguiu me responder o que o esse governo fez de útil por direitos LGBT além de provocações que só geram briga e contribuem para a divisão da sociedade. O casamento homoafetivo, que ilustra a publicação governista, foi conquistado no Judiciário (aquele que chamam de golpista!), e não no Executivo. Com a desculpa de que precisava construir apoios na bancada evangélica, mais conservadora, rifou os direitos dos homossexuais. E o que construiu com esse apoio evangélico? Nada de útil. Só o usou para lotear o governo e ter tempos de televisão monstruosamente grandes nas eleições.

Foram muitos anos em que os governos petistas tiveram alta popularidade e apoio dos setores LGBT e evangélicos. Apoios de sindicatos e de industriais. Quase uma unanimidade, tinham uma base enorme no Congresso. Aprovavam qualquer coisa pela qual o governo se esforçasse. E o que isso rendeu em benefício prático para a população? Nada.

Quem se lembra de 2014? Dilma tinha um tempo de TV enorme no primeiro turno, de tantos partidos que a apoiavam. Dilma, cuja coligação tinha nove partidos, teve 11 minutos e 24 segundos dos 25 minutos das propagandas. Aécio tinha 4 minutos e 35 segundos. Marina Silva, herdando a chapa de Eduardo Campos, contou com 2 minutos e 3 segundos.

Veja o basômetro do Estadão. No segundo governo de Lula, em 488 votações, 431 deputados votaram com o governo em 85% das vezes ou mais. Dava pra passar qualquer coisa. Pra passar PEC, que, exceto um impeachment, é o que mais exige votos, precisam de 308 deputados.

O tamanho do apoio político do PT, que hoje usam como desculpa para a própria inoperância, botando a culpa sempre no Congresso, era vendido como uma qualidade. Quem não lembra de quando atacavam Marina justamente a acusando de não conseguir ter apoio?

Quem ruiu com a base do governo foi o próprio PT – e a falta dos pixulecos que usavam para comprá-la. O Congresso que está aí foi, em grande parte, eleito, na melhor das hipóteses, usando da máquina do governo petista. Sem contar os que usaram dinheiro que roubaram em parceria com o governo, mesmo. A tal bancada evangélica, tratada hoje como a causa de todos os males, foi muito bem alimentada e só cresceu, com os apoios dados pelos governos de Lula e Dilma.

Assaltaram o país inteiro para comprar apoio político e não levaram! É muita incompetência! De quem é a culpa por terem construído uma base ruim e oportunista? Do FHC?

O mesmo perfil Humaniza Redes fez posts similares com mulheres, se apropriando da Lei Maria da Penha (que passou no Congresso, que agora tanto demonizam) e travestis. Aparentemente, acreditam que esses grupos são de propriedade do PT.

Tancredo Neves dizia que gastaria a sua popularidade aprovando o que fosse necessário. Lula e Dilma tiveram popularidade, tiveram apoio, e só usaram a população LGBT para “lacradas” fomentando a divisão da sociedade e discursos sem efeito prático. Conseguiam aprovar tudo o que queriam no Congresso, comprado pelo mensalão e o petrolão, e agora o culpam por tudo. Querem ser apropriar das minorias, que só serviam para enfeitar palanque, agora que a situação aperta.

Posteriormente, o post do Humaniza Redes substituiu a palavra “viado” por gay.
As considerações aqui escritas não se alteram em nada com a nova redação. 

Alberto Lage

Alberto Lage tem 22 anos, estuda Direito na Faculdade de Direito da Universidade Federal de Minas Gerais, perdeu a paciência com partido político, é fã de Dire Straits e colecionador de quadrinhos do Tio Patinhas. Está permanentemente no twitter @AlbertoLage.

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