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Greve ou feriadão, eis aí uma boa questão para o debate

Redatores da Turma do Chapéu

16 de março de 2012
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Educação

O editorial do jornal Hoje em dia da última quinta (15/03) traz uma boa reflexão sobre a greve nacional dos professores no que diz respeito a Minas Gerais. Não se coloca em dúvida o direito dos professores a lutar pela implantação do piso salarial ou por remuneração maior. A questão é fazer mais um movimento paradista quando nem bem a reposição das aulas da última greve terminou e, principalmente, quando se constata que tanto o governo de Minas quanto a Prefeitura de Belo Horizonte cumprem a Lei do Piso. Talvez por perceberem o despropósito, a adesão dos professores à paralisação foi muito pequena.

E o sindicato ainda reclama que a decisão do governo de Minas de manter abertas as escolas para receber os alunos, mesmo que sem professores, foi uma ação “antisindical”. Foi, isto sim, uma ação de respeito aos pais e aos estudantes. Leia o editorial abaixo.

Leia também:

  • Mais de 97% dos professores da rede estadual de Minas trabalharam normalmente nessa quinta-feira
  • Minas Gerais integrará fórum nacional de negociações da Educação
  • Governo de Minas garante acesso de alunos e professores às escolas
Sala de aula

Maioria das escolas funcionou normalmente na quinta-feira

Educação em Minas: greve ou feriadão?

Hoje em Dia, 15/03/2012

A imagem do professor ficou arranhada na quarta-feira (14). Nem bem os dias de aula perdidos foram repostos e eles começaram uma nova greve. No ano passado, a qualidade do ensino público em Minas Gerais ficou bastante comprometida com o excesso de dias parados, que não são repostos de maneira digna. Alguns dias são no sábado, os alunos perdem o ritmo e aqueles que se preparam para o vestibular ou para as provas do Enem têm de buscar outra opção que não a rede de ensino público, que deveria dar o exemplo.

Não se questiona aqui o salário do professor, que é baixo. Esse piso nacional para os professores, de R$ 1.451,00 para uma carga horária de 40 horas semanais, é muito pequeno. A sociedade reconhece e a história dos países desenvolvidos já demonstrou que o investimento na educação, a começar pela remuneração dos mestres, faz a diferença. Um professor bem remunerado, incentivado, feliz dentro da sala de aula, com certeza vai conseguir transmitir a seus alunos os conhecimentos necessários que um estudante deve ter no ensino fundamental. Pode fazer a diferença na medida em que esse aluno não terá traumas em determinadas disciplinas lecionadas por um professor mal-humorado. Essa desagradável experiência emocional pode marcar uma criança por toda uma vida. Esse prejuízo é enorme para uma nação.

Da mesma forma, exige-se dos professores e das suas lideranças mais responsabilidade no trato com a greve. A paralisação das aulas não pode se transformar em meio de vida. Por qualquer coisa, as salas ficam vazias e ninguém é responsabilizado. O grevista vai para a praia e a sala de aula fica vazia. As mães ficam sem condições de deixar a criança em outro local para poder trabalhar. E os alunos, os maiores prejudicados, se desmotivam.

A greve é legítima, mas é a última opção em uma negociação. Não a primeira, com dessa de ontem, que pretende se estender até sexta-feira. É um feriadão nacional para os professores, de quarta a domingo.

O piso nacional é lei e o gestor que não cumprir, que não fizer o seu dever de casa, tem de prestar contas com a Justiça e com o Tribunal de Contas. Não tem sentido uma greve nacional para exigir o pagamento do mínimo em estados e municípios que já remuneram o professor até acima do piso, que, repetimos, é muito baixo para um país que acaba de ultrapassar o Reino Unido e ocupa hoje o posto de sexta economia do mundo.

Em Belo Horizonte, a maior adesão ontem foi dos professores municipais. O sindicato da categoria afirma que a greve reivindica o piso salarial de R$ 1.451. Ora, em BH, o salário mínimo para professor é de R$ 1.676,03 para uma jornada semanal de 22 horas e 30 minutos. Um pouco mais que o piso nacional.

A pergunta que não quer calar é: se a Prefeitura de Belo Horizonte paga R$ 1.676,03 por 22 horas por que os professores estão fazendo greve para ganhar R$ 1.451 por 40 horas semanais? Querem reduzir o salário? Como se vê, essa greve não parece ser séria. Tem cara de feriadão.

Postado em Educação | Leave a response Tags editorial, governo de Minas, greve dos professores, Hoje em Dia, Minas Gerais, PBH, piso salarial, reposição
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