por Matheus Mourão

Thiago Vinicius e Daniela Pinho, mentores do projeto Cine Boca em mais uma noite de cinema de rua
O mercado municipal, assim como em outras cidades do interior de Minas, é um grande atrativo para a população de Governador Valadares por sua história e identificação com o povo da cidade. Passou por alguns problemas de manutenção e defasagem, fatos que foram resolvidos na revitalização realizada pelo então prefeito Bonifácio Mourão (PSDB).
Outro aspecto que chama a atenção no entretenimento e lazer da capital do Vale do Rio Doce, é que a cidade é conhecida pela boa infraestrutura nos esportes, sendo destaque mundial na prática de voo livre no pico do Ibituruna e pelos hábitos saudáveis das pessoas, por ser referência nacional no uso de bicicleta.
Justamente por ter um foco no esporte e ter que dividir a pasta com o assunto, a secretaria de cultura não tem a valorização adequada que lhe é exigida. Um exemplo é o teatro, que está decadente, e por enquanto nada tem sido feito para a sua reforma. Entretanto, mesmo com a falta de incentivo da prefeitura, comandada pela petista Elisa Costa, grupos independentes se evidenciam no cenário cultural, tornando as artes cada vez mais próximas da massa.
Os três principais grupos existentes em GV são o Coletivo Pedra Negra, que funciona como uma alavanca de manifestações culturais, a AVS (Associação Valadarense de Skatistas) e o Coletivo Território do Avesso, famoso pelo apoio ao teatro de rua. Este último tem como maior diferencial a criação do Cine Boca, uma proposta de “recriação e mudança dos territórios de Valadares, através da arte do cinema de rua, fazendo deste ferramenta de debate, diálogo e criação de novas políticas públicas”, segundo uma das mentoras do projeto, Daniela Pinho. O cinema de rua veio, por meio deste projeto, atingir não só os jovens, como todas as pessoas interessadas em arte e cultura da cidade, de modo a ter em seus filmes conteúdos que agregam e provocam reflexões em quem os assiste.
Projetos como esse mostram o quanto é importante a iniciativa de grupos independentes no panorama da cultura, principalmente quando a prefeitura não dá o suporte necessário a profissionalização dos artistas do município. Uma dica para que a administração do centro do Vale do Rio Doce passe a investir menos timidamente no entretenimento.