Lembram quando contei que ainda não tinha conhecido a Cidade Administrativa Presidente Tancredo Neves?
Perdi a posse do Anastasia porque tava viajando e BH ainda não é cidade para se queimar Réveillon.
Depois, o tempo passou, mas não a preguiça, e eu só via a Cidade Administrativa (CA) de longe, a caminho de Confins (Tancredo Neves International Airport).
Aí veio o convite para participar de uma exposição para o projeto Mães de Minas na CA que foi adiada e, por fim, transferida para o Ponteio Lar Shopping.
Pois bem, finalmente, dia 4 de novembro, fui à CA, o que não quer dizer que conheci a CA…
Fui entrevistar o governador Anastasia para a edição comemorativa dos primeiros 15 anos do jornal O Tempo, onde tenho uma coluna semanal, sempre às quintas-feiras, no caderno de cultura, Magazine. A ideia legal do jornal foi a de que seus colunistas entrevistassem personalidades sobre o aniversário do diário, inaugurado dia 21 de novembro de 1996. 15 anos já, porra!
Que honra a minha! Entrevistar nosso super “Gov”, sendo que toda conversa com ele é sempre agradável, inspiradora e instrutiva.
Não conheci a CA na íntegra porque fiquei restrito ao Palácio Minas (?) onde mora seu gabinete que também não tive a honra de conhecer, posto que fui recebido numa sala.
O que vi, vi que é bem Niemeyer e pode melhorar muito.
Desci bem em frente ao heliponto que, segundo Anastasia, ele não usa porque vai de carro, do Palácio das Mangabeiras até a CA. Trajeto que lhe consome uns 40 minutos em leitura dos jornais.
Achei bem Niemeyer primeiro pelo óbvio, as curvas e vãos livres do arquiteto; os espaços, a grandiosidade, a beleza escultórica de suas linhas curvilíneas como nossas melhores bundas; afinal, o próprio Oscar já confessou de onde vem sua “nadegal” inspiração.
Pode melhorar muito, mas isso é tarefa para o tempo porque, quando as árvores que ladeiam o palácio crescerem, a paisagem será bem outra, talvez até escondam a feia favela que já aponta os céus, bem em frente à sala de reuniões… Uma pena! O Brasil deveria ter favelas em lugar nenhum, muito menos em frente a palácios…
Lá dentro a CA também pode melhorar, incrementando a decoração… Há móveis legais, mas muita parede para pouco quadro, poucas telas de nossos artistas. Na sala onde fiz a entrevista tinha um Bax de porte médio que parecia minúsculo se comparado à sua parede do tamanho da Muralha da China; uma grandeza de Cecil B. De Mille, como queria Nelson Rodrigues, o Inolvidável.
Fiz a humilde parte que me coube naquele latifúndio, como cantaria João Cabral de Mello Neto. Levei um presente de minha lavra para o governador. Assemblage (coletânea) de objetos e achados devidamente juntados, colados e pintadosem alumínio… Ficou meio sacro, meio barroco porque a base era um “divino” de madeira, quebrado e sem o pombo…
Ficou legal, fiz com esmero, não sei se Anastasia gostou porque ele nem teve tempo de abrir o “embrulho de manga” improvisado na feira de minha bagunça (lá em casa). Foi bom não abrir, o lixo conseqüente ia provocar um mar de jornal velho e um cipoal de fita adesiva; o que não combinaria muito com a limpeza impecável daquelas salas, corredores e escritórios mui bem iluminados pela natureza.
Anastasia agradeceu muito o presente, como manda seu impecável figurino e pediu a não sei lá que Major que colocasse o patusco dentro do carro. Espero que tenha sido colocado no porta-malas, com cuidado e deitado. Não é leve, mas é frágil…
Bom, depois da pontualidade britânica, o contrário de Aécio, consegui enfim conversar com o governador sobre os mais variados assuntos: de sua sempre pesada agenda, até seus desejos políticos, passando por lazer, futebol, imprensa e arte em geral.
Não vou contar muita coisa aqui porque seria dupla traição, tipo na música do Djavan, cantada pela Nana Caymmi. Melhor esperarem a edição especial do jornal, dia 21, como supracitado.
Porém, posso adiantar umas coisinhas que não tirarão o brilho (santa modéstia, Batman!) do conjunto da obra…
Por exemplo, sei que depois da pré-estreia de “Tancredo, a Travessia”, Anastasia quer ver o novo filme de Selton Mello, “O Palhaço” porque, se bem entendi, teve locações em Minas. Outra dica cinematográfica do governador é o argentino, “Um Conto Chinês”.
Foi aí que descobri outra coisa que pode melhorar a CA: uma sala de cinema. Anastasia gostou da ideia…
Descobri também que o governador já viajou muito, mas ainda sonha conhecer, nas parcas férias, a África do Sul e Machu Picchu, no Peru.
Que mais?
Que infelizmente ele não pode proibir o rebaixamento do nosso Galo. Felizmente, acho que isso não mais será necessário, já para o Cruzeiro… Mas, isso é problema do Aécio…
Por falar em Aécio, Anastasia me garantiu que aonde Aécio for ele irá atrás ou ao seu lado, apoiando-o, tipo Brasília, 2014…
Perguntei se tinha vontade de ser presidente da República e ele, como se surpreendido, respondeu perguntando e explicando: “Eu? Eu não esperava nem ser governador…”. E eu, sorrindo maleficamente: “Mas, virou governador, é governador…”.
Cumprindo o prometido, paro por aqui, insistindo para que leiam a entrevista dia 21 de novembro em O Tempo. Vocês vão saber um pouco do que Anastasia falou da Copa do Mundo, de Minas, do futuro de Minas, dos obstáculos de Minas, de turismo, indústria, comércio e até da Dilma. Só me esqueci de perguntar o prato favorito dele. Mas, isso é lá pergunta que se faça? E se for abobrinha, rabada, lula com brócolis…
PS: Por que “nosso homem em Havana”? Ora bolas e pícolas, se o conto chinês pode ser argentino…