O PSDB contratou o perito Larry F. Stewart, um dos maiores especialistas do mundo em perícia de documentos, para analisar os papéis da Lista de Furnas. O resultado foi o que já se sabia: trata-se de uma falsificação, tanto das cópias quanto do suposto original apresentado à Polícia Federal.
As técnicas usadas por Stewart mostram enxertos, assinaturas coladas, logomarca diferente da verdadeira e várias outras fraudes.
Rogério Correia e o PT, envolvidos até o nariz na farsa, limitam-se a tentar denegrir e desqualificar o perito. Explicação, que é o que a sociedade quer, não saiu nenhuma. Explica, Rogério!!
Veja as reportagens do Estadão deste sábado (04/02).

Reprodução do site do perito Larry F. Stewart
PSDB paga laudo para anular Lista de Furnas
O Estado de S. Paulo, 04/02/2012
Segundo perito americano, documento de 2006 com doações a tucanos foi falsificado
Um laudo de 56 páginas, encomendado pelo PSDB ao perito americano Larry F. Stewart, ex-integrante do serviço secreto dos Estados Unidos e especialista em fraude de documentos, ajuda a desmontar a Lista de Furnas – uma relação de 156 políticos de oposição, a maioria tucanos, supostamente beneficiados com doação de caixa 2 na eleição de 2002. A lista falsa trazia os nomes dos ex-governadores José Serra (São Paulo), Eduardo Azeredo e Aécio Neves (Minas).
No laudo, o perito assegura que o documento, trazido a público em 2006 pelo lobista Nilton Monteiro, é uma fraude grosseira. “Após análise da combinação de todas as incompatibilidades e fatores relatados, concluo que a fotocópia apresentada e o original da lista de Furnas são, de fato, fraudulentos”, afirma. A direção do PSDB afirmou ter pago R$ 200 mil.
Segundo ele, “há indicações de que os dois documentos podem ter sido assinados pelo mesmo autor”, o falsário. A relação de supostos beneficiários de caixa dois é descrita em cinco folhas assinadas pelo então presidente de Furnas Centrais Elétricas, Dimas Fabiano Toledo. O documento teria sido fabricado à base de colagem sobre folhas diferentes, com enxerto posterior de nomes e aposição de assinaturas e rubricas falsas.
Em algumas folhas, a assinatura verdadeira do ex-diretor de Furnas teria sido colada. Em outras, conforme o perito, ela foi simplesmente falsificada, seja por decalque, ou imitação livre. “A caligrafia encontrada nos dois documentos questionados (original e cópia) muito provavelmente não é a de Dimas”, diz o especialista. “Estou convencido de que a letra não é a dele e que trata-se de falsificações.”
Conforme o laudo, a lista de furnas foi montada com duas partes de documentos diferentes e depois xerocopiada, como se fosse uma peça única e coerente. A primeira parte, das páginas 1 a 4, quando analisada sob luz ultravioleta, “comporta-se diferente da página 5″, possivelmente enxertada em outra ocasião.
Além disso, acrescenta, “a página 5 parece ter uma composição de fibras diferente das outras páginas”. As duas observações foram baseadas na análise química, que mostrou que a copiadora usada para produzir a página 5 é diferente da que foi usada para produzir as quatro primeiras. Até os logotipos da empresa, segundo Stewart, “são incompatíveis com os verdadeiros, fornecidos pela empresa”.
Embora o laudo do perito americano não faça parte dos autos do processo sobre o chamado mensalão mineiro, que corre na 2.ª Vara Criminal da Justiça Federal do Rio, o PSDB o usará como argumento técnico e de convencimento da Justiça, por ocasião das alegações finais. Segundo o deputado federal Marcus Pestana, presidente do PSDB em Minas, a lista de Furnas foi montada para “salvar a barra” do governo Lula, às voltas com o escândalo do mensalão petista em 2005.
Com a expectativa de julgamento próximo do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF), o laudo do perito americano será usado também como blindagem frente à estratégia petista de defesa. “Com essa fraude grosseira, eles pretendiam provar que todos os partidos são iguais e fazem captação de recursos de caixa dois para financiar suas campanhas”, disse Pestana.
Processado por dezenas de políticos citados na lista, Monteiro está preso desde outubro por estelionato e falsificação.
Pestana acusa dois políticos petistas – o deputado estadual Rogério Correia (MG) e o ex-deputado estadual Agostinho Valente (hoje no PDT), de serem cúmplices na montagem da fraude, conforme revelou inquérito da Polícia Civil de Minas. Correia deverá ser alvo de um processo ético por quebra de decoro. Ele negou que a lista de Furnas seja fraude e Valente, hoje filiado ao PDT e sem mandato, não foi localizado.
Para o advogado William dos Santos, defensor de Monteiro e do deputado Correia, o laudo de Stewart “foi comprado” pela parte interessada e, por isso, não tem credibilidade. “Ele (Stewart) foi contratado para dizer o que o PSDB queria”, afirmou. “Não é uma perícia oficial, não tem valor jurídico algum e foi feita só para confundir.”
Pestana explicou que o PSDB recorreu ao especialista americano ao perceber que o PT, a cada eleição, requenta a lista de Furnas e certamente repetirá a estratégia nas eleições deste ano.
Também do Estadão, a reportagem que fala sobre o laudo da Polícia Federal.
PF também questiona autenticidade de rubricas
O Estado de S.Paulo, 04/02/2012
Laudo da Polícia Federal também ataca a autenticidade das rubricas apostas nas cinco páginas da Lista de Furnas. Com relação à cópia distribuída por Nilton Monteiro, os peritos da PF encontraram inconsistências e, por falta de elementos técnicos, se abstiveram de dar parecer conclusivo. A cópia mostra supostos beneficiários de caixa 2 que não constavam da lista original.
As páginas são compostas de duas colunas, uma com o nome do político e outra com o valor do caixa 2 correspondente. O dinheiro teria sido arrecadado junto a fornecedores, prestadores de serviços, bancos, fundos de pensão, corretoras e seguradoras que tinham negócios com Furnas. Além do PSDB, a lista inclui nomes de outros 12 partidos coligados na época com os tucanos. Vários processaram o autor, que está preso desde outubro.
Um dos principais atingidos é o ex-governador mineiro Eduardo Azeredo, hoje deputado federal pelo PSDB, que chegou a responder processo de cassação por quebra de decoro. Inocentado, ele disse que o laudo do perito americano “desmascara de vez” a lista de Furnas. No caso do laudo brasileiro, Azeredo afirmou que a conclusão ficou prejudicada porque a lista tinha três versões distintas, o que impediu a PF de produzir parecer conclusivo.
“É esse o método do fraudador: ele pega alguns fatos verdadeiros e em cima deles faz a montagem criminosa, colando uma assinatura aqui e outra ali para dar aparência de unidade e autenticidade ao documento”, disse Azeredo. ”O caso mostra também o perigo dos julgamentos precipitados. No fim ficou provado que tudo não passava de conluio entre um deputado petista com um falsário. A injustiça quando acontece, dói muito.”
No duelo político com o tucanato, o PT se escuda no laudo oficial da PF, que, apesar de apontar irregularidades na lista, afirma que o original é autêntico. “Os exames não evidenciaram sinais ou características de montagem ou alteração no documento analisado”, diz o laudo do Instituto Nacional de Criminalística, assinado pelos peritos Marcos Moraes e Narumi Lima.
