Meu governador, F.D.P.

Fernando Damata Pimentel é mineiro, formado em economia e, até segunda ordem, governador de Minas Gerais. Foi ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior nos primeiros quatro anos do governo de Dilma Rousseff. Durante o período em que governou Belo Horizonte, foi conhecido como o “prefeito bom de serviço”.

F.D.P., como é normalmente chamado nos autos do Ministério Público Federal, assumiu o governo mineiro afirmando que tinha herdado do governo anterior um saldo negativo bilionário – ainda que o Banco Central informasse o oposto. Para combater a falta de dinheiro em caixa, comprou novas aeronaves, aumentou o número de secretarias e reformou o Palácio das Mangabeiras. Ao mesmo tempo, aumentou salário de comissionados em 40%, assim como os de membros das mesas diretoras da empresas como a Cemig – ainda que a estatal tenha acumulado uma defasagem financeira de R$ 1 bilhão.

Os principais programas criados por Aécio Neves e Anastasia, no entanto, não escaparam da tesoura de Pimentel. O Seed (Desenvolvimento do Ecossistema de Empreendedorismo e Startups), referência em toda a América Latina, foi encerrado abruptamente. Em troca, o governo lançou o Minas Digital, com menos recursos e um modelo de gestão inferior. Já o CRJ, iniciativa do governo com a prefeitura de BH, foi deixado às traças pelos novos responsáveis pelas políticas para a juventude mineira.

A cultura, elogiada até por opositores nos anos de governos tucanos, agoniza na mão do governador denunciado. O Circuito Cultural da Praça da Liberdade, logo no início da nova gestão, teve corte de verbas de 70%. Já o Projeto Ballet Jovem Palácio das Artes, encerrado da noite para o dia, só manteve as atividades após fortes pressões da classe artística.

O programa Valores de Minas, referência no ensino de artes para jovens do ensino público, por pouco não acabou. A escola em tempo integral? Suspensa. O Centro de Atendimento e Proteção ao Jovem Usuário de Tóxicos (Caput), que auxiliava jovens dependentes de drogas, também foi encerrado.

Não contente em estar com problemas com a justiça, Pimentel também trouxe ao seu governo um secretário condenado por improbidade, um assaltante condenado e foragido, diversos parentes de petistas e a sua – investigada – esposa. Carolina Oliveira, que aparece nos autos da Operação Acrônimo acusada de ter recebido pagamentos milionários na sua empresa fantasma, ganhou o foro privilégiado sem ao menos se dar ao trabalho de executar as atividades inerentes ao seu cargo.

Além de fazer uma má gestão no presente, F.D.P quer prejudicar as gestões do futuro. O Projeto de Lei nº 3.517/2016, alegando corte de gastos, irá acabar com a Escola de Governo da Fundação João Pinheiro. Enquanto uma presidenta é deposta por não saber cuidar das finanças públicas, Pimentel vai na contra mão do país e impede a formação de novos gestores capazes de atender às demandas da sociedade.

O nosso governador não só acumula problemas com a Polícia Federal, mas também com a Justiça Eleitoral. A sua campanha, subfaturada, teve as contas reprovadas pelo corpo técnico do Tribunal Regional Eleitoral de Minas Gerais em julho de 2015. O parecer apontava indícios de crime de apropriação indébita, gastos irregulares, desvios de recursos de campanha e omissão de despesas.

O governante que se elegeu prometendo comunicar-se mais com o povo tentou censurar o jornal Hoje em Dia. Acuada, foram poucas as vezes que a imprensa mineira deu destaque às notícias negativas sobre Pimentel. Em alguns casos, textos chegaram a serem apagados das páginas de portais como o Estado de Minas e O Tempo.

O governo F.D.P. será marcado pelo atraso. Atraso do pagamento de servidoresatraso no reajuste de professores e nos índices das contas públicas. A transparência regrediu nas tentativas de censura à imprensa, no fim da Ouvidoria Geral de Minas Gerais (OGE)  e na remoção de artigos da Agência Minas referentes aos governos anteriores. Programas sociais e culturais que se tornaram referência em todo o país foram fechados, seja para serem retomados em uma versão piorada ou por pura inveja das administrações de Aécio Neves e Anastasia.

Hoje, somos governados por um político que é suspeito de ter cometido crime de falsidade ideológica, caixa 2, coordenação de um esquema de lobby, recebimento de propina, lavagem de dinheiro e tráfico de influência. As acusações envolvem a campanha que o elegeu governador mineiro, além do período em que esteve a frente do BNDES e de um dos ministérios mais importantes do governo federal.

No entanto, apesar da sua grande sorte, o “chefe de quadrilha” que nos governa está prestes a ter um novo caminho: aceitando a denúncia feita pela PGR ao STF, o político deverá ser afastado do cargo, conforme manda a Constituição mineira. Neste caso, a sorte não será dele. Será de todos os mineiros.

Guilherme Henrique Magalhães

Guilherme Magalhães gosta de falar que é radical de centro para irritar pessoas muito curiosas.

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