O apagão do PT na Cemig

O apagão do PT na CemigFundada em 1952 pelo então governador Juscelino Kubitscheck, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) tornou-se ao longo dos anos em um dos principais patrimônios dos mineiros e em um símbolo do desenvolvimento econômico do Estado. De 2003 a 2014, a empresa viveu o mais expressivo processo de fortalecimento e expansão de seus 64 anos de história, se transformando na maior empresa integrada de energia do país. Em 2014, a empresa tinha 114 mil acionistas em 44 países e participação em mais de 200 empresas, além de consórcios e fundos de participação.

Em pesquisa realizada pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em junho de 2015 (refletindo, portanto, a gestão de anos anteriores), a Cemig foi considerada a melhor da região Sudeste na categoria que reúne distribuidoras com mais de 400 mil consumidores, de acordo com o Índice Aneel de Satisfação do Consumidor (IASC).

Além de atender mais de 7 milhões de consumidores em 774 municípios mineiros, a Cemig estava presente em 23 unidades da federação, sendo responsável por 7% da capacidade instalada de geração de energia do País, operando um parque composto por 70 usinas hidrelétricas, térmicas e eólicas. Era também o maior grupo distribuidor de energia do país, responsável por aproximadamente 12% do mercado nacional, e a maior fornecedora de energia para clientes livres, com 25% do mercado brasileiro.

Em 2014, o Grupo Cemig era responsável também pela operação do terceiro maior sistema de transmissão de energia elétrica do País, operando linhas em todas as regiões brasileiras.

Em função de trapalhadas administrativas, bem como da crise econômica também gerada pela incompetência do governo petista, as ações da Cemig caíram de forma drástica. Em janeiro de 2015, quando a gestão anterior entregou a companhia para a nova direção eleita por indicação do governador Fernando Pimentel, do PT, a cotação das ações da companhia na Bovespa já era de R$ 13,00 – aproximadamente a metade do valor anterior à edição da MP 579.

Nos últimos meses, a deterioração da economia e a má gestão da companhia, já sob o governo do PT, fizeram despencar ainda mais o valor de suas ações. Atualmente, elas estão cotadas a pouco mais de R$ 5,00 – o que corresponde a uma perda de mais de 60% com relação a janeiro de 2015.

Como se não bastasse, dados divulgados pela própria CEMIG na última semana dão conta de que, no primeiro trimestre deste ano, o lucro da empresa foi de apenas R$ 5,2 milhões – uma drástica e inédita queda de 99,7% em relação ao mesmo trimestre de 2015, quando o lucro registrado foi de R$ 1,5 bilhão (valor que ainda refletia a gestão anterior ao PT).

100% de aumento nos jetons dos conselheiros

Apesar deste resultado pífio, que é o pior desde 2002, recentemente os salários de toda a diretoria da Cemig foram reajustados com índices entre 22,5% e 36,6%. Com o aumento, aprovado em assembleia geral dos acionistas da estatal no dia 29 de abril, o salário do presidente da companhia saltou de R$ 44,2 mil para R$ 60,5 mil e dos diretores, de R$ 37 mil para R$ 46,5 mil.

Os conselheiros da empresa também tiveram reajustes em seus jetons, passando a receber R$ 14,3 mil por mês, o dobro do valor de R$ 7.100,00 que era pago em 2014. Além disso, o PT dobrou o número de conselheiros remunerados da companhia (de 14 para 28).

A redução do lucro da companhia significa menos recursos entrando nos cofres do tesouro estadual, já que o Governo de Minas, como acionista majoritário da companhia, com participação de cerca de 25% de seu capital total, usufrui do resultado positivo da empresa, assim como todos os seus demais acionistas. Ou seja: a drástica redução no lucro da Cemig se traduz em menos dividendos para o Estado – o que certamente fará muita falta, já que o governo do PT não tem conseguido sequer pagar em dia os salários dos servidores estaduais. Para se ter uma noção do tamanho dessa redução, de 2011 a 2014 a Cemig distribuiu cerca de R$ 13 bilhões de dividendos a seus acionistas. Deste total, nada menos do que R$ 3 bilhões foram repassados aos cofres do Estado no período.
Os problemas financeiros da Cemig também impactarão negativamente a economia de Minas Gerais, já que a companhia está entre as que mais contrata serviços e realiza compras no Estado. Trata-se de uma situação preocupante por se tratar de uma das maiores empresas de Minas e do País, dentro e fora do setor elétrico, com alto conceito internacional.

Em função de problemas financeiros, a Cemig terá que passar por um processo de “desinvestimento”, ou seja, terá que vender empresas controladas ou subsidiárias. Isso significa que a companhia vai ter que “queimar” investimentos que já foram ou serão importantes para somar lucros para a companhia. Ressalte-se que, anos atrás, as controladas e subsidiárias chegaram a responder por 40% do lucro da empresa. Ou seja, traziam recursos para Minas Gerais.

De acordo com analistas do setor, há um grande temor no mercado de que a CEMIG reproduza a desastrosa trajetória da Eletrobras, a estatal federal de energia que, também graças à inépcia e à má gestão do PT, está atualmente com um rombo estimado em R$ 20 bilhões, necessitando da injeção de vultuosos recursos do Tesouro Nacional para não se tornar insolvente. Em função desta situação, na semana passada a Eletrobras teve a negociação de suas ações suspensa na Bolsa de Valores de Nova York.

Nunca é demais lembrar que, nos últimos anos, a Cemig conseguiu manter-se no Dow Jones Sustainability World Index, atribuído pela mesma Bolsa de Nova York às empresas que têm uma política consistente e sustentável nos campos financeiro, social e ambiental. Outro legado que também está em risco em função da má gestão do PT.

Aumento de ICMS e corte de isenções penalizam consumidores

Não bastasse estar levando a Cemig à bancarrota, o governo do PT está penalizando as empresas e a população com o aumento das tarifas e impostos da energia elétrica.

Ao contrário do que prometeu durante a campanha eleitoral, Fernando Pimentel aumentou o ICMS da energia elétrica de 18% para 25%, para os consumidores da classe comercial, penalizando cerca de 700 mil estabelecimentos de todas as regiões mineiras, a maioria empresas familiares ou pequenos comércios que mais sofrem com a recessão econômica.

Isenção

Além disso, a administração petista cortou isenções nas contas de luz de aproximadamente 2,3 milhões de famílias de baixo consumo de todas as regiões do Estado, que eram beneficiados com uma “tarifa social” criada pelas gestões anteriores. O benefício foi retirado pelo governador Fernando Pimentel por meio da Lei 21.781, com voto contrário dos deputados da oposição na Assembleia Legislativa. Conforme pode ser visto no infográfico abaixo, a redução no número de família beneficiadas foi de 89%.

Conteúdo reproduzido do Bloco de Oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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