Ainda quero muito escrever série de livros perguntando: Onde você estava quando Tom Jobim morreu? E Elis Regina? E Ayrton Senna? E Vinicius? Onde você estava quando mataram John Lennon? Onde você estava no dia 11 de setembro? E por aí vai…
Vocês; não sei, mas eu me lembro bem.
Quando Elis morreu, em 19 de janeiro de 1982, era minha primeira vez em Paris. Li num cantinho do Le Monde que “a maior cantora brasileira tinha morrido”. À noite, ouvi programa sobre ela no rádio. Um frio de gelar pinguim incauto, noite triste.
Quando Senna quebrou seu próprio muro na Itália, em 1º de maio de 1994, era minha terceira vez em Paris. Eu almoçava na casa de uma amiga, com turma de brasileiros. O namorado dela ligou do aeroporto, onde trabalhava, porque, mesmo com a TV ligada, ninguém prestava atenção na corrida; muito vinho, cerveja, risadas e um lindo dia.
No mesmo ano, mas em 8 de dezembro, morria Tom Jobim, de câncer, Nova York. Eu, pra variar, estava voltando das férias, pra Paris, e só fiquei sabendo dia seguinte, depois de ler os jornais italianos no avião da Alitalia. Fiz uma conexão em Roma. Em Paris, comprei uma garrafa de uísque “nu lujinha do árabe”, fui pra casa, bebi e fiquei ouvindo o CD a noite inteira. CD que, havia comprado no mesmo dia, no aeroporto do Galeão, hoje, Tom Jobim. Ainda tenho o CD e os jornais italianos.
No mesmo dia 8 de dezembro, na mesma Nova York, mas em 1980, eu estava em Campinas, quando soube que John Lennon fora assassinado por um fã, em frente a seu edifício, o Dakota. À noite, bem dramaticamente, coloquei aquele pôster em P&B do Lennon ao piano, na sala e chamei turma de amigos para chorarmos juntos. Que melodrama juvenil! Tanto que nem tenho mais o pôster…
Em Campinas eu também estava, quando Vinicius de Moraes morreu de mil coisas e amores. Lembro que, à noite, no Teatro de Arena, num show, Belchior fez-lhe as homenagens de praxe. Até hoje tenho a revista Veja falando de sua morte, com belas fotos e texto.
Dia 11 de setembro de 2001, quando as torres gêmeas ruíram com o auxílio luxuoso de Bin Laden, finalmente me encontrava em Belo Horizonte, trabalhando, com a TV ligada. Quando vi o primeiro inferno na torre, saquei que era um atentado. O pessoal duvidava, mas, aí veio o segundo e BUM! Não, não tenho cacos das torres…
Sabem por que toda esta sessão da tarde? Tão vendo a ilustração de hoje? Tem o convite para a recente exposição de 100 anos de nascimento do Tancredo “Aécio Senador” Neves, este ano…
Onde vocês estavam quando Tancredo Neves morreu?
Sabem aquela música do Chico, “Samba e Amor”? É assim: “Eu faço samba e amor até mais tarde/E tenho muito sono de manhã/Escuto a correria da cidade que arde/E apressa o dia de amanhã/De madrugada a gente ‘inda se ama/E a fábrica começa a buzinar/O trânsito contorna, a nossa cama reclama/Do nosso eterno espreguiçar/No colo da bem vinda companheira/No corpo do bendito violão/Eu faço samba e amor a noite inteira/Não tenho a quem prestar satisfação…”.
Samba não, que toco nem canto nada. Mas, eu tava fazendo amor o dia e a noite inteira, durante três dias e três noites, com uma namoradinha, a Júnia, que morava em São Paulo. Tinha tempos que a gente não se via. Ficamos o tempo todo no apartamento da rua Timbiras, aqui em Belo Horizonte. A geladeira devia estar cheia…
De entre as quatro paredes (na verdade, oito, revezávamos os dois quartos) não vou dar detalhes, sou um gentleman, pelo menos até a terceira dose.
Ela tinha vindo pro feriado do 21 de abril de 1985…
Quando a deixei na rodoviária, ela voltando pra São Paulo, eu indo pra Barbacena, percebi a cidade mais vazia e silenciosa que de costume, mesmo sendo feriado…
Foi lá que descobri a morte de Tancredo depois de longa agonia.
Foi triste, mas mesmo assim os ônibus funcionavam impunemente.
Ao chegar, fui tomar sol na piscina de uma ex-namorada. Lá, sob o céu e o sol que nos protege, víamos e ouvíamos os aviões que desciam em Barbacena para o enterro em São João del Rey.
Foi assim.
O que Aécio e sua avó Risoleta estão fazendo nesta ilustração comemorando? É pra eu lembrar onde estarei na posse dele, de Anastasia, Itamar e Serra, dia 1º de janeiro de 2011. (O Serra? Como diria Paris em maio de 68: “Sejamos otimistas… Deixemos o pessimismo para dias melhores”).
E dias melhores virão porque nunca fomos tão felizes!
PS: O que a gostosa da Brigitte Bardot está fazendo nesta ilustração? Porque eu quis, ora bolhas. E ninguém tem nada a ver com isso.