
Patrus: conselheiro, consultor e descumpridor de prazos
A revista Veja que circulou nesse final de semana trouxe uma matéria que levanta a suspeita do ex-prefeito Patrus Ananias ter fraudado o registro de sua candidatura para a eleição de 2012.
A reportagem traz duas questões: uma de ordem legal, mostrando que ele não teria saído no prazo estabelecido pela lei complementar Nº 64, de 18 de maio 1990, que estabelecia que Patrus deveria, quatro meses antes da eleição, deixar o cargo que ele ocupava na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo. Outra, de ordem moral, já que Patrus diz que o trabalho de Presidente do Consocial da FIESP não é remunerado, enquanto a revista afirma que Patrus recebia por ele.
A tentativa de abafar a história que pode destruir a candidatura do PT é evidente. Patrus editou a página do seu site, criado em 13 de junho de 2012, em que ele se apresentava como presidente do Conselho de Responsabilidade Social (Consocial) da FIESP, mas o cache do Google mantém um registro da página, com data de 25 de julho. Diante da reportagem e das provas, Patrus tem condição de continuar afirmando que não recebia direta ou indiretamente da FIESP?
Apesar da gravidade das denúncias, a imprensa mineira simplesmente ignorou o assunto. Talvez para proteger Patrus, o jornalismo sequer se deu ao trabalho de perguntar o candidato sobre o assunto. Os mineiros tem o direito de saber. Ser um ex-ministro e protegido pelo Palácio do Planalto não pode ser discurso para ninguém passar por cima da lei. Diante do silêncio da imprensa, dá até pra perguntar: estaria o PT censurando os jornais de Belo Horizonte?
Leia abaixo matéria da edição 2280 de Veja, de 01/08/2012
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