Pelo trabalhador? Pelas minorias?

O ocaso do governo Dilma Rousseff é marcado por constantes tentativas de reaproximação com as minorias e movimentos sociais que estão historicamente ligadas ao Partido dos Trabalhadores. Nessa leva, Dilma (tentou) reuniu-se com representantes das mulheres, índios e os povos sem terra na tentativa de formar uma espécie de “frente de esquerda contra o golpe”.

Para as mulheres, Dilma ignorou as creches que prometeu, não entregou, prometeu novamente, não entregou, prometeu mais uma vez e, pelo visto, não irá entregar – que fique claro que o benefício das creches não se restringe somente às mulheres, mas também às diversas configurações familiares que dependem delas para trabalhar. Aos índios, Dilma não só esquece de Belo Monte, Jirau, Santo Antônio e um dos piores índices de remarcação de reservas desde o fim da ditadura. E os sem terra, coitados, seguem defendendo um governo que não consegue entregar mais assentamentos que FHC e Lula.

Hoje, no dia do trabalhador, Dilma saiu às ruas para mostrar como um futuro governo Temer seria ruim para a classe. Como quem não arrastou o país para a pior crise do século, a presidenta insiste em suas tentativas de dizer que o governo dela é o que protege os trabalhadores do país.

A gestão que agora se encerra será marcada por vários avanços. Nenhuma deles será na manutenção ou expansão de direitos trabalhistas e bons níveis de emprego. Dilma não buscou garantir a melhoria dos projetos que deram certo. Pelo contrário, investiu em incentivos econômicos que beneficiaram apenas uma pequena casta de grandes empresários, enquanto o povo vivia com baixos reajustes do salário mínimo.

Em janeiro do último ano, montadoras já anunciavam planos de lay-off e demissão voluntária. Pouco depois, o número de lojas fechadas ultrapassou os 100 mil. Hoje, a taxa de desemprego já atinge 11% da população.

Uma grande parte dessas pessoas estão na rua estão na parte mais vulnerável da sociedade. São jovens que no geral não possuem uma formação tão sólida quanto a de profissionais mais experientes. Junto a eles, milhões de mulheres, pretos e pardos se unem nas filas em busca de um emprego. Sem seguro desemprego, acabam recorrendo a oportunidades de baixa qualidade.

Enquanto os índices de renda, formalização e emprego caem, as favelas ressurgem nas periferias do país. O legado do governo Dilma será o do aumento do trabalho infantil, tratado por representantes do governo como uma simples “flutuação“. Ao mesmo tempo em que Dilma pede que a população trabalhe “um pouco mais”, aumenta o número de benefícios para magistrados e após recuar da ideia de igualar salários de homens e mulheresa diferença registrada em 2013 foi de R$ 479,00.

Um governo que financia grandes empresários com ações trabalhistas na justiça dizer que a sua saída do poder pode representar diminuição de direitos trabalhistas não é algo surpreendente. Mas, quando esse é o mesmo governo que se pretende-se ser “dono” de uma série de lutas que foram jogadas ao limbo nos últimos anos é, para dizer no mínimo, um grande escárnio com a nação.

Guilherme Henrique Magalhães

Guilherme Magalhães gosta de falar que é radical de centro para irritar pessoas muito curiosas.

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