por João Cláudio Guimarães

As carrancas deram oportunidades para Luzia e os filhos
Luzia Carneiro Soares, nascida em Itaoman, sertão baiano, encontrou em Pirapora muito mais que um lugar pra morar. São 42 anos vivendo em uma terra que deu oportunidade para toda uma família.
Foi através de seus irmãos que Luzia conheceu o artesanato. Fizeram questão de criar um jeitinho mais mineiro na confecção de cada peça.
Mãe de seis filhos, Luzia encontrou dificuldades no inicio. Afinal, além de exercer papel fundamental na renda familiar, era preciso aprender a fazer de um pedaço de madeira uma obra de arte. Com pouco tempo as duas tarefas começaram a ser exercidas com louvor.
A confecção de carrancas é algo tradicional na cultura da cidade que tem o prazer de fazer parte da rota do Velho Chico. Tudo começou quando antigamente pescadores usavam as carrancas na proa de seus barcos para espantar “caboclos d’água“. Com tanta mística envolvendo a proteção de uma carranca, logo haviam varias delas espalhadas nas casas de toda a população buscando dispersar maus fluidos.
O tempo foi passando, as crianças forma crescendo e Dona Luzia nos contou com orgulho que com a força de seu trabalho pôde propiciar estudo para todos os seus filhos. Inclusive, pagou uma faculdade particular para um de seus filhos que foi ao Rio de Janeiro estudar. Hoje, formado, é professor de Matemática.
Orgulhosa pelo trabalho que faz, Luzia nos contou que para fazer uma carranca é necessária muita paciência e um senso simétrico muito apurado, são duas semanas para dar vida a uma nova obra de arte.
É impressionante a riqueza de detalhes, nada escapa a exigente artesã que se diz muito grata a Pirapora, confessando seu amor à terra: “Quando chegamos aqui, não tínhamos nada, viemos com uma mão na frente outra atrás. Nossa terra hoje é Pirapora, lugar que nos deu oportunidade”.
A lição que fica é que mais que torcermos por termos chances em nossas vidas, precisamos saber aproveitar quando elas aparecem, mas sem nos esquecer de onde viemos.