Por que o PT tem tanto medo de Anastasia relatando o impeachment?

A indicação do senador Antonio Anastasia para a relatoria do impeachment de Dilma no Senado gerou questões de ordem, ameaças de ações judiciais e muita reclamação dos petistas, no Plenário do Senado e na imprensa. Lindbergh Farias e Fátima Bezerra protestaram; Gleisi Hoffmann e Vanessa Grazziotin apresentaram questões de ordem – rejeitadas – para impedir que Anastasia fosse relator.

A justificativa dos petistas foi o fato do senador pertencer ao PSDB, mas como não reclamaram do presidente indicado para a comissão, Raimundo Lira, do PMDB, partido diretamente beneficiado pelo impeachment, fica claro que não é só a questão partidária. É claro que protestariam por qualquer motivo, pois precisam ganhar tempo, mas há algo a mais aí. Se os petistas aceitam Lira, que até tinha declarado voto favorável ao impeachment, e protestam tanto contra Anastasia, acho que vários motivos podem explicar.

Anastasia tem experiência jurídica para fazer um relatório impecável. Como aluno de Direito, ganhou a medalha Rio Branco da UFMG por ser o melhor da sua turma. Professor de Direito Administrativo na UFMG, ex-professor da Milton Campos, mestre em Direito Administrativo e um dos assessores da redação da Constituição Mineira, o senador tem capacidade para produzir, ele mesmo, uma peça relatando o processo de impeachment difícil de ser contestada por defensores de Dilma.

Anastasia já deixou sem argumentos de quem ainda fala em golpe. Um discurso do professor Anastasia no Plenário do Senado, explicando a diferença entre crime de responsabilidade, julgado no Senado, e crime comum, julgado no Judiciário, calou os senadores que falavam em “golpe”.

Anastasia não entra nos estereótipos que o PT gosta de criticar nos defensores do impeachment. Adversário bom é aquele que você escolhe. No impeachment na Câmara, a máquina de comunicação do PT escolheu os votos favoráveis dos deputados com mais processos, de fala mais simples citando Deus e a família no voto, ou alguns votos controversos para criticar como se representassem o todo. Não conseguirão fazer isso com Anastasia: o relatório dele, como alguém com formação jurídica, deve tratar só do pedido. Ele não é do tipo que votará falando de outros temas, e não conseguirão apontar esses defeitos. Quanto a acusações, também não podem usar nenhuma contra ele. Até houve um caso que passou pelo gabinete de Dilma para tentar envolvê-lo em escândalos, mas que já foi desmontado pelo MP e pela justiça.

A exposição de Anastasia agora o credencia como candidato a presidente. “Se deixar o Anastasia falar durante essa investigação, vai surgir um nome provável para a presidência”, disse Lucas Mendes no último Manhattan Connection. Anastasia começa com boa exposição e tem rejeição menor do que os nomes da política tradicional, sem ser um antipolítico, já que tem no seu currículo o Senado, o Governo de Minas, secretarias e um ministério. Ganhou a eleição em Minas mesmo com seus companheiros de chapa perdendo, mostrando ter conseguido uma imagem mais forte do que a do seu partido. E ainda tem, segundo levantamento do Paraná Pesquisas, uma aprovação maior em Minas do que qualquer petista, incluisndo o atual governador. O analista político Gaudêncio Torquato o definiu ontem como “asséptico, sincero, preparado, modesto” e com boa avaliação pelo eleitor, o que se confirma dentro do perfil que as pesquisas já vem avaliando como o candidato ideal para 2018.

Ele mesmo não tem vontade de ser candidato, o que pode dificultar um pouco, mas quem sabe? #EuAcredito

Guilhermina Abreu

Guilhermina Abreu é legal demais para ser tucana e coxinha demais para ser petista. Entrou para a Turma do Chapéu porque acredita que a política pode ser melhor e diferente! Contato: guilhermina@turmadochapeu.com.br

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