Saída do secretário expõe instabilidade do governo Fernando Pimentel na segurança pública

Mais um revés na segurança pública no governo petista de Fernando Pimentel. Desta vez quem pediu exoneração foi o chefe da pasta, o secretário de Estado de Defesa Social, Bernardo Santana de Vasconcellos, depois de ficar no cargo durante um ano e três meses. Deputados da oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais criticam a instabilidade em uma área prioritária como a segurança, com várias trocas de comando.

“Já estamos sem subsecretário de Administração Prisional há oito meses. A subsecretaria de Administração Prisional foi trocada três vezes e até hoje não tem um subsecretário de forma permanente. Tivemos também a troca no comando da Polícia Civil. E hoje amanhecemos com a notícia de que o secretário deixou o cargo. Tínhamos a informação de que ele já tinha tentado entregar o cargo várias vezes”, afirmou o deputado Sargento Rodrigues durante a reunião da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais na manhã desta terça-feira (29/03).

O parlamentar lembrou que em maio do ano passado o então secretário Bernardo Santana assumiu o compromisso, em nome do governador Pimentel, de entregar 4 mil vagas no sistema prisional em seis meses. “Já se passaram 10 meses e nenhuma vaga foi criada”, afirmou.

Para o Sargento Rodrigues, o governador precisa ter firmeza para indicar um novo nome que dê estabilidade ao sistema de segurança. “É uma pasta muito complexa. E o governador precisa acertar na indicação. Não é possível que seja mantida essa instabilidade, pois ela afeta a todos os mineiros. Afeta até os trabalhos da Comissão de Segurança Pública, na medida em que não conseguimos fazer a interlocução. A secretaria continua de forma capenga sem conseguir dar as respostas que precisamos”, afirmou o deputado.

Ao pedir a exoneração, Santana alegou a necessidade de assumir atividades partidárias em função das eleições municipais. A partir desta terça-feira (29 de março), o subsecretário de Atendimento às Medidas Socioeducativas (Suase), Antônio Armando dos Anjos, assume interinamente o comando da secretaria.

Avanço da Acrônimo

O parlamentar estranha que a exoneração a pedido do próprio secretário tenha ocorrido justamente em um momento que, segundo notícias divulgadas na imprensa, a Operação Acrônimo avança no sentido de comprovar o envolvimento do governador Fernando Pimentel e de sua esposa Carolina Oliveira em irregularidades nos repasses à campanha da presidente Dilma Rousseff. “Foram inúmeras as denúncias que recebi de que o secretário Bernardo gastava a maior parte de seu tempo em Brasília mais preocupado em resolver problemas de Pimentel com a operação Acrônimo”, afirma o deputado Sargento Rodrigues (PDT).

Nesta semana, veio à tona que a publicitária Danielle Fonteles, dona da Pepper Interativa e uma das integrantes do esquema, confirmou em delação premiada o recebimento de R$ 6, 1 milhões da Andrade Gutierrez por serviços prestados à campanha de Dilma e que o contrato foi firmado com a empresa a pedido de Pimentel.

Desarranjo institucional

O deputado João Leite (PSDB) também externou sua preocupação com mais uma baixa no comando da segurança pública. “O secretário de Defesa Social, no arranjo do estado, tem um papel importante de conseguir a integração das polícias, das forças de segurança do Estado, e manter o diálogo com o Poder Judiciário, com o Ministério Público, com as prefeituras. Sentimos que neste governo esse papel está esvaziado”, afirmou.

Ele questionou ainda se a saída do secretário não seria uma ação da prometida reforma administrativa que até hoje não chegou à Assembleia Legislativa de Minas Gerais. “Fica a dúvida se não teremos mais essa figura de secretário de defesa social. Teremos outro arranjo? Eu lamento. Considero uma perda se desarranjarmos toda a estrutura que foi criada”, completou.

A troca na chefia da Polícia Civil, cargo que tem status de secretário, ocorreu em novembro do ano passado, quando saiu Wanderson Gomes e assumiu a delegada-geral Andrea Cláudia Vacchiano. Na época, de acordo com informações veiculadas na imprensa, a mudança teria ocorrido em função de “injunções políticas”. Pouco tempo antes, em julho de 2015, o subsecretário de Administração Prisional, Antônio de Padova Marchi Junior, entregou o cargo. Até hoje, quem responde interinamente pelo cargo é o secretário-adjunto, Rodrigo de Melo Teixeira.

Conteúdo reproduzido do Bloco de Oposição na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.

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