Por Felipe Schuvartt

Seu Joaquim conta seus amores: Dona Rosa e o tacacá
É na frente do exuberante Teatro Amazonas que o Senhor Joaquim vende um alimento muito típico da região norte do Brasil: o tacacá – que tem como base o tucupi, porção líquida resultante da moagem da mandioca, a goma, que é o amido, camarão seco e jambú. É um trem que anestesia a boca.
Era umas 5 horas da tarde quando passei naquela barraca, no Largo de São Sebastião, para experimentar a iguaria de nome exótico. Mas, a experiência não ficou só na degustação. O dedo de prosa foi muito interessante.
Seu Joaquim é daqueles que só de aproximar já vai mostrando as canjicas. Uma simpatia. Contou, durante aqueles minutinhos, que aquela praça sempre fez parte de sua vida.
Há muitos anos, quando outros comercializavam inúmeras coisas ali, ele aproveitava para curtir os finais de tarde, após o estudo e o trabalho, trocando dedo de prosa com os amigos – ele era meio tímido para flertar as caboclas. Mas, o gosto pelo tacacá veio depois que conheceu a Dona Rosa, sua esposa. Especialista no preparo da receita, a moça se empenhou de tal forma que conseguiu abrir, na mesma praça, uma barraca à qual deu o nome de Gisela, a primeira tacacazeira manauara. Joaquim curtiu tanto que, além de casar (por amor a ela), resolveu empreender junto (por amor ao tacacá).
O largo passou por uma grande reforma e, ainda assim, o casal conseguiu permanecer e promover a cultura por meio da culinária. Além disso, eles auxiliam no desenvolvimento das comunidades ribeirinhas da região metropolitana de Manaus, pois os mais de 500 litros de tucupi utilizados semanalmente na barraca vem delas.
Tem gente que vai pra lá fazer seu happy hour, assim como eu fiz. É só pegar a cuia, o palitinho, sentar na calçada e saborear o caldo, pescando os pequenos camarões e escutando bossa nova.
Sobre a timidez, Seu Joaquim diz que o tacacá resolve. É que além de anestesiar a boca, anestesiou seu coração.