Por Jane Paula
Uma discussão que tem sido bastante recorrente em Pernambuco, mais precisamente em Recife, é a do Estado Mínimo na cultura recifense. Preferências à parte, há que se saber o papel do poder público na manutenção do patrimônio histórico cultural e na proposição de medidas que visem o amplo acesso à produção cultural do Estado ou da capital, por parte da população. E, certamente, isso tem sido feito.
No intuito de melhorar a infraestrutura local, regulamentar o mercado e prover condições de sustentação e equilíbrio entre o setor privado e a função de fomento do Estado, a prefeitura municipal investe em ações como a Virada Multicultural, que envolve todos os segmentos artísticos e traz para o público diversas opções entre o audivisual, com exibição de filmes nas principais salas de cinema de Recife e os espetáculos de teatro encenados no Apolo Hermilo, no Teatro Luiz Mendonça ou no Santa Isabel, entre outros locais.
A Fundação de Cultura de Recife, juntamente com a Secretaria de Cultura do município, tem atuado em muitas vertentes culturais: literatura, música, festividades tradicionais (como a de São João) e o carnaval multicultural (com convocatórias já abertas ao público). A Letra e a Voz – Festival de Literatura, que já conta com nove edições, aproxima poetas e autores locais e os faz conhecidos da população recifense e brasileira, já que o número de visitantes que a cidade recebe é enorme. Além desse, a Semana de Artes Visuais (SPA), com foco na arte contemporânea e intervenção urbana, e que bebe na fonte do Manguebeat, estilo musical introduzido por Chico Science, colabora muito para o enriquecimento da cultura no próprio Estado.
Entre as propostas da Secretaria de Cultura está o Núcleo da Cultura Afro-brasileira, que tem forte atuação no que tange a valorização das manifestações culturais já incorporadas na vida e cotidiano dos moradores. Paralelamente a isso, os museus de Recife têm agregado um conhecimento diferenciado aos recifenses, principalmente o Museu Murillo La Greca e o MAMAM no Pátio. O segundo tem a proposta de integrar o público às artes visuais contemporâneas, estimulando a criação de oficinas e interatividade, de modo a dinamizar o modo como os museus interferem na vida das pessoas. Nessa linha de continuidade, é possível verificar o extenso patrimônio histórico da capital, entre pontes, rios e mercados, a estética tradicional do Recife – e de grande parte de Pernambuco – se mantém preservada.
Por fim, ressalto a importância e atenção que tem sido dada às diversas formas de expressão cultural conectada ao conhecimento, seja pelo cadastro cultural, pelas bibliotecas, pela Escola Municipal de Frevo ou mesmo pela Orquestra Sinfônica, que no Nordeste considero ainda mais relevante. Os concertos anuais visam promover o encontro do erudito e do popular, formando novas platéias para a música erudita no Recife, fato que já pude observar através dos programas de aproximação das Orquestras com comunidades simples e distantes dos centros. A ideia é muito interessante e, se objetivada com afinco, trará benefícios imensuráveis para o público nordestino em geral. Recife não pára no tempo e progride culturalmente.
