Por Carolina Schiavon

Baía de Todos os Santos: beleza não põe a mesa e nem resolve questões políticas
Em meio à beleza natural e à história viva, escrita em suas ruas, praças e museus, Salvador vem se afogando em um mar de apatia e descaso por parte dos políticos. Isto fica evidenciado nos patrimônios tombados caindo aos pedaços, na falta de políticas públicas que combatam e resolvam o problema da segurança pública, além de investimentos em saúde e educação.
A sociedade vem marginalizando a política de sua lista de deveres sociais, um processo que ocorre em todo o país e que se encontra evidente na sociedade baiana. É perceptível que as pessoas conhecem os fatos, indignam-se com os escândalos, sabem o que é preciso fazer para melhorar, mas não se organizam para protestar e cobrar do governo respostas e atitudes.
O voto, assim como as audiências públicas, tem sua expressividade e importância diminuídas. O primeiro por causa de uma cultura assistencialista arraigada nas populações mais carentes e um descaso e desinteresse da classe média, que não vê a política como um caminho para ter seus interesses atendidos. Já as audiências, por não funcionarem, na prática, perdendo sua eficácia e seu sentido para existir.
Por fim, percebemos movimentos do governo estadual para incentivar a participação política da população. Ato louvável, se não fosse igualmente perceptível seu direcionamento por segmentos específicos da população, sua baixa divulgação, além de serem tendenciosos nos ideais propagados, favorecendo determinados partidos.