
Dunas dos Lençóis Maranhenses: beleza inexplorada
O dia da Turma do Chapéu começou cedo, com destino ao interior do Maranhão. Quatro horas de estrada separam a capital, São Luís, de Barreirinhas, a cidade mais próxima dos Lençóis Maranhenses.
Ao chegar em Barreirinhas, notamos um hospital de grande porte, considerando a região. Os locais fazem piada, dizendo que o hospital foi construído duas vezes: uma para a campanha de Roseana Sarney para o governo do Estado, outra para efetivamente construí-lo.
Barreirinhas é mais um exemplo de que apenas o turismo não garante o desenvolvimento da localidade, que, mesmo próxima de um dos destinos mais belos do Brasil, ainda não é próspera. Lá, contratamos os serviços de um guia local, que nos levaria até os Lençóis. Nosso meio de transporte era um caminhão antigo, adaptado para levar até 12 passageiros sentados atrás. Saímos da cidade, atravessamos um rio de balsa e seguimos para fora da estrada, cortando caminhos de areia enquanto nosso caminhão balançava, assustando os menos calmos.

Bandeirinhas, cidade mais próxima dos Lençóis: turismo não gera riqueza
Ao chegar à área das dunas, a beleza era impressionante. Nenhuma estrutura recebia os turistas, o que pode trazer menos desenvolvimento, mas garante que o local permanecesse intocado. Nenhuma sujeira, diferentemente do que é comum em áreas turísticas. Caminhamos, com auxílio do nosso guia, até a única lagoa da região que tem água no momento. Depois de um banho, retornamos pela mesma estrada irregular. Tivemos sorte e não encontramos filas para embarcar na balsa, mesmo elas sendo bem comuns nessa época.
Depois de retornarmos à cidade, procuramos um lugar pra comer. Com alguma dificuldade, encontramos uma padaria local, com pouco movimento. O trânsito de turistas pela cidade não é intenso, mesmo que pelos Lençóis passem muitas pessoas. Depois do lanche, enfrentamos mais quatro horas de estrada até São Luís.
Nas épocas de estiagem, com as lagoas secas, o movimento na região despenca. O guia, indispensável para garantir que o turista não se perca no meio da imensidão das dunas, já não encontra trabalho. A sazonalidade do turismo impede um maior desenvolvimento do local. A falta de infraestrutura repele o aumento do fluxo de turistas, mas garante que o cenário natural mantenha-se. Conciliar o desenvolvimento com a exploração, para garantir melhores condições de vida para a população, é uma missão para todo o Brasil.
